Saúde em Evidência · leitura crítica aplicada English

Glossário de método

Glossário de método

Os termos que aparecem nos nossos pareceres e vereditos, explicados sem jargão. Cada verbete diz de onde vem o conceito, onde na obra, e em que data nós o conferimos na fonte.

  • AMSTAR-2

    Ferramenta para avaliar a qualidade de revisões sistemáticas (16 itens, 7 críticos).

  • Bradford Hill

    Conjunto de pontos de vista (temporalidade, dose-resposta, consistência…) para pesar causa e efeito em observação.

  • causalidade reversa

    Quando é a doença que altera o fator medido — e não o contrário.

  • comparador

    O grupo ou condição contra o qual a intervenção é comparada (ex.: placebo, outra dieta).

  • CONSORT

    Checklist de como RELATAR um ensaio — transparência do relato, não qualidade.

  • coorte

    Estudo que acompanha um grupo ao longo do tempo para ver quem desenvolve o desfecho.

  • desfecho clínico

    Evento concreto vivido pelo paciente (ex.: infarto, morte), não um marcador de laboratório.

  • desfecho duro

    Evento que importa ao paciente (infarto, morte, fratura) — não um marcador intermediário.

  • desfecho substituto

    Marcador intermediário (ex.: TFG, colesterol), não o evento que importa ao paciente.

  • DRC

    Doença renal crônica.

  • efeitos aleatórios

    Modelo de meta-análise que admite que o efeito varia entre os estudos.

  • efeitos fixos

    Modelo de meta-análise que assume um único efeito verdadeiro comum aos estudos.

  • efetividade

    Efeito no mundo real, com adesão imperfeita e pacientes variados.

  • eficácia

    Efeito medido em condições ideais e controladas (dentro do ensaio).

  • eGFR

    Estimativa da taxa de filtração glomerular — o quanto os rins filtram, que é UMA das funções renais.

  • GRADE

    Sistema que classifica a certeza do conjunto da evidência, por desfecho.

  • healthy-user

    Quem adota um hábito tido como saudável tende a ter outros hábitos saudáveis juntos — confunde a análise.

  • HR

    Hazard ratio — risco ao longo do tempo (>1 maior, <1 menor).

  • IC 95%

    Intervalo de confiança de 95% — a faixa onde o valor real provavelmente está.

  • intenção de tratar

    Analisa cada pessoa no grupo em que foi sorteada, mesmo que tenha abandonado — evita inflar o efeito.

  • Mede quanto da diferença entre os estudos é real (não acaso): 0% = nenhuma; alto = muita.

  • meta-análise

    Combina estatisticamente os resultados de vários estudos numa estimativa só.

  • Newcastle-Ottawa

    Escala para avaliar a qualidade de coortes e estudos caso-controle.

  • NNT

    Número de pessoas que precisam ser tratadas para evitar um evento — traduz o efeito em algo prático.

  • OR

    Odds ratio — quantas vezes mais (>1) ou menos (<1) provável é o desfecho.

  • PICO

    Roteiro da pergunta: População, Intervenção (ou exposição), Comparação e Desfecho.

  • placebo

    Tratamento inerte usado como comparação para isolar o efeito real da intervenção.

  • poder

    Capacidade do estudo de detectar um efeito que existe; amostra pequena tem pouco poder.

  • PRISMA

    Checklist de como relatar uma revisão sistemática.

  • QFA

    Questionário de frequência alimentar: estima a dieta habitual de memória, sujeito a erro.

  • QUADAS-2

    Ferramenta para avaliar estudos de acurácia diagnóstica.

  • randomização mendeliana

    Usa variantes genéticas como 'sorteio natural' para testar causa e efeito.

  • razão de prevalências

    Medida de associação típica de estudos transversais (compara a proporção de quem tem o desfecho).

  • regressão à média

    Tendência natural de valores extremos voltarem para perto da média na medição seguinte.

  • revisão de escopo

    Mapeia o que existe sobre um tema, sem julgar a qualidade dos estudos.

  • revisão narrativa

    Texto de opinião/contexto, sem busca sistemática nem avaliação reprodutível dos estudos.

  • revisão sistemática

    Busca e avalia, de forma estruturada, todos os estudos sobre uma pergunta.

  • risco absoluto

    A diferença real de risco entre os grupos (ex.: 2 em 100 vs 1 em 100).

  • risco relativo

    Quantas vezes o risco muda entre os grupos (ex.: 'dobrou') — pode parecer grande mesmo sendo pouco em números absolutos.

  • RoB 2

    Ferramenta padrão para avaliar o risco de viés em ensaios randomizados (5 domínios).

  • ROBINS-E

    Ferramenta para risco de viés em estudos de exposição (ex.: dieta → desfecho).

  • ROBINS-I

    Ferramenta para risco de viés em estudos de intervenção sem sorteio.

  • salto normativo

    Saltar de uma evidência fraca direto para 'mude a conduta/diretriz' — exagero comum.

  • SMD

    Diferença padronizada — tamanho do efeito em desvios-padrão (0 = sem diferença).

  • STROBE

    Checklist de como relatar estudos observacionais.

  • TFG

    Taxa de filtração glomerular — o quanto os rins filtram o sangue.

  • transversal

    Estudo que mede tudo num único momento — mostra associação, não causa.

  • valor-p

    Quão compatível o dado seria se não houvesse efeito real; não mede tamanho nem importância.

  • viés de publicação

    Estudos com resultado 'positivo' são publicados mais e mais rápido, distorcendo o conjunto.

  • vote-counting

    Contar quantos estudos deram para cada lado, sem combinar os tamanhos de efeito — síntese frágil.

Ver os vereditos que usam este vocabulário →